Sílica é o segredo para a eficiência e a aderência dos pneus verdes

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Produtos oferecem preço e durabilidade similares aos dos convencionais

Já que o pneu verde será mandatório, a equação a ser resolvida pelos fabricantes é como ter um produto com baixa resistência à rolagem sem perder o atrito com o solo, o que implica na estabilidade e na aderência do carro.

— Esse tipo de produto parte do emprego de matérias-primas, dos desenhos das banda de rodagem e de formas de construção que consumam uma parcela cada vez menor da energia gerada pelo motor sob a forma de deformação ou geração de calor — afirma Eduardo Roveri, gerente de produtos da Continental Pneus.

Méritos, principalmente, da tal da sílica. A dissipação de energia depende da temperatura e da frequência com as quais o pneu vai estar em contato com o solo.

Em um carro que roda a 80km/h, por exemplo, o pneu dá 10 voltas por segundo e deforma-se em uma frequência de 10Hz. Nesta situação, a geração de calor da sílica é baixa. Só que a sílica tem o poder de acompanhar essa frequência.

Quando a borracha derrapa sobre as rugosidades do pavimento, a frequência do pneu pode chegar a 10.000Hz — gerando, portanto, mais energia e calor. Neste cenário, a temperatura mais alta da sílica favorece a resistência à derrapagem, diminuindo a distância de frenagem.

 Outro dilema é ter um pneu econômico e durável. Se no fim dos anos 90 o pneu verde tinha vida útil 20% menor que um convencional, hoje dura até mais. Méritos, de novo, da sílica — e também de outros compostos usados pelos fabricantes. A linha Ecopia, da Bridgestone, usa polímeros oriundos do uso da nanotecnologia.

A Goodyear também utiliza componentes alternativos.

— Hoje nem todos os pneus verdes usam somente sílica. Investe-se em outros componentes e em produtos mais leves — diz Vinícius Sá, gerente de marketing da Goodyear.

Barulho foi superado

Tais mudanças também livraram os pneus verdes de uma péssima reputação: o barulho. O primeiro passo foi alterar o desenho dos blocos. Depois, aumentou-se o uso de polímeros especiais na borracha.

A evolução compensa, inclusive, para o bolso. Um pneu verde custava de 30% a 40% a mais que um “normal”, durava menos e ainda fazia barulho. Hoje não é mais assim.

— A sílica era mais cara e tornava o processo de fabricação mais complexo. E o pneu só contribuía em 2% de economia. Não compensava — compara Argemiro Costa, da SAE.

— O produto verde gera economia de combustível e será cada vez mais relevante para o usuário — prevê Vinícius Sá, da Goodyear.

Em uma conta rápida, um pneu dura 50.000km. Se o carro faz um consumo médio de 5km/l com o pneu verde, vai economizar 122 litros ao longo da vida do produto. Com o preço médio da gasolina a R$ 3, serão R$ 366.

Fonte: globo

 

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